O FASCÍNIO DO PSICOPATA
A senhora Catarina Nunes relatou que na data de doze de outubro, dia das
crianças, seu filho Arthur que tem deficiência mental e cuja alteração cerebral o torna
incapaz de se comunicar e estabelecer relacionamento com estranhos, foi visitar
seus avós que residem na localidade de Itoupava Central.
Devido ao
adiantado da hora Catarina pensou que seu filho tivesse pernoitado na casa de
seus avós, quando, por volta de meia noite ouviu ruídos de um automóvel parar
em frente à sua residência, logo em seguida, com semblante de assustado, seu
filho Arthur entrou porta a dentro e em silêncio foi direto para o quarto.
Catarina foi até o
quarto e quando se aproximou do rosto do menino sentiu cheiro de esperma,
perguntou o que tinha acontecido? Arthur se queixou-se de dores nos braços e
adormeceu devido ao cansaço.
Na manhã seguinte, após ele acordar, a mãe iniciou um diálogo perguntando
se havia gostado do presente ganho de sua avó: uma “bicicleta” novinha,
o menino assentiu que “sim” com a cabeça.
Conseguindo manter um diálogo com seu filho, ficou sabendo que Dirceu
deu-lhe carona para casa, antes , porém, o homem levou-lhe para sua casa e
obrigou-o a fazer sexo oral e relação sexual, o menino queixava-se de dores no
corpo e na “bunda”, a mãe pediu que baixasse as cuecas e pode observar os
ferimentos no ânus, diante da raiva, indignação e sentimento de justiça, chamou
a Polícia Militar, relatando o fato criminoso.
Após o registro da ocorrência, Arthur
foi encaminhado ao Instituto Médico Legal da cidade de Blumenau para a
realização dos exames de corpo delito e ato libidinoso diverso da conjunção
carnal.
Na delegacia de polícia Catarina
explicou aos policiais que Arthur conversava somente consigo, trazia também a
comprovação médica que a memória de seu filho era compatível com a de uma criança de um ano de idade.
Dias depois de procurar providências policiais,
Catarina observou que um veículo Sandero
passou diversas vezes na rua em frente à sua residência, num desses atos viu que
o motorista deste veículo era Dirceu, esse, estava olhando o interior de sua
casa a procura de Arthur.
Já, Vania Maria, mãe de um aluno da escola
onde Arthur estuda, conversou com Catarina e lhe confidenciou que viu quando Arthur
desceu do ônibus da Blumob em frente ao seu bar de nome “carnaval”,
vindo a ficar sentado num banco existente em frente ao referido bar. Já estava escurecendo e o menino continuava
sentado no banco, decidiu interpelá-lo e perguntar se não iria para casa, não
obteve resposta.
Nesta mesma data, dias das crianças, por
volta de 20 horas, José Dirceu chegou ao bar,
pediu um “x-burguer” e começou a ingerir bebida alcoólica à base
de vodca, ao sair e observando o menino sentado no banco à frente, perguntou a Vania:
“ele vai posar com vocês aí?”(referindo-se a Arthur), respondeu que não, e, já
que ele seguiria em frente e passaria pela casa do menino, solicitou que lhe desse
uma carona. Vânia, disse que Arthur entrou no veículo Sandero Prata de Dirceu
por volta de 22 horas, voltando de carona para casa.
Na segunda-feira, quando estava na “academia”,
Vânia ouviu um burburinho e ficou sabendo pelos comentários que Arthur havia
sido estuprado, ficou corroída de dor e remorso, pois foi ela que havia indicado
a José Dirceu que levasse a criança para casa.
Na localidade o medo se espalhou entre
os populares, pais e crianças que estudavam na mesma escola de Arthur, todos
faziam o mesmo trajeto, a diferença era que Arthur não tinha capacidade de se
defender.
Novamente com coração em sobressalto, Catarina
viu quando José Dirceu desceu do veículo Sandero Prata e se instalou numa
residência localizada ao lado de sua, com uma “faca” de caça exposta na
cintura, passou a olhar fixamente para o interior de sua casa, tentou chamar
socorro mas não conseguiu ninguém que lhe atendesse, o homem deixou o local
depois de uma meia hora, sorrindo e com ar de deboche entrou no carro e saiu lentamente.
Catarina, em desespero, temia que seu
filho fosse feito vítima novamente, procurou a Polícia Civil para comunicar esse
fato; agora, além da segurança de Arthur, temia por sua vida, razão pela qual
pediu providências ao Delegado de Polícia.
O Delegado Bruno, Titular da Segunda
Delegacia de Polícia, noticiou este fato ao Doutor Marcelo, Juiz de Direito, titular
da 1ª Vara Criminal do foro central de Blumenau, e, representou pela prisão
preventiva de José Dirceu, o documento de “protocolo” foi anexado aos
autos do Inquérito Policial.
No enquadramento do pedido de Prisão
Preventiva o delegado se embasou no Art. 217-A, da LEI
Nº 12.015, DE 7 DE AGOSTO DE 2009, onde é citado que é crime ter conjunção
carnal ou praticar ato libidinoso com
menor de 14 (catorze) anos, com a “agravante” do § 1º praticar as ações descritas com alguém que, por enfermidade ou
deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato,
ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência. Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.
O magistrado analisou e deferiu a
Prisão preventiva, expedindo alvará de prisão contra José Dirceu. O “mandado”
de prisão foi cumprido pela equipe de investigações da Polícia Civil de Santa
Catarina, José Dirceu foi preso, ouvido a termo, acompanhado por advogado
nomeado para o ato, confessou o estupro, posteriormente foi recolhido junto ao Presídio
Regional de Blumenau.
A família de José Dirceu procurou uma
banca de advogados especialistas em defesa de crime de estupros e contratou a Dra.
Mariana, 0AB 18312, a qual entrou com uma “petição” no plantão do foro
central, solicitando Habeas Corpus em favor de seu cliente José Dirceu.
Na petição a Dra. Mariana usou como base do pedido a “jurisprudência”
exarada pela 7ª Câmara do Tribunal de Justiça do
Rio Grande do Sul que absolveu um homem acusado de estuprar uma
deficiente mental.
O Juiz entendeu que José Dirceu não
representa perigo para a sociedade, possui residência fixa, é réu primário e
não possui antecedentes criminais, colocou-o em liberdade condicional.
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